Por Alisson, PR7GA
Pela segunda vez em quatro anos, a Escola Naval do Rio de Janeiro foi palco de um contato direto entre estudantes e uma astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Aconteceu nesta última segunda-feira, dia 02/03/2026, e foi coordenado pelo Tony, PY1AX. O contato anterior também teve cobertura do QTC da ECRA. Veja aqui.
Pela segunda vez em quatro anos, a Escola Naval do Rio de Janeiro foi palco de um contato direto entre estudantes e uma astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Aconteceu nesta última segunda-feira, dia 02/03/2026, e foi coordenado pelo Tony, PY1AX. O contato anterior também teve cobertura do QTC da ECRA. Veja aqui.
O contato propriamente dito ocorreu na Escola Naval, com operação coordenada por um radioamador classe A, utilizando o indicativo oficial da LABRE-RJ, PY1AA. Toda a estrutura estava montada com antecedência: estação principal configurada em VHF operando em split (frequências diferentes para transmissão e recepção), antena de satélite com polarização circular e sistema de rastreio para acompanhar a passagem da ISS. Além disso, havia equipamentos de contingência já posicionados e prontos para entrar em operação caso houvesse qualquer falha.
Antes do inÃcio oficial, foi feito um cronograma rigoroso do tempo disponÃvel de passagem da estação. As perguntas dos alunos foram previamente selecionadas, numeradas e ensaiadas. Cada participante foi orientado a dizer seu nome, fazer a pergunta de forma objetiva e finalizar com “over”, seguindo o protocolo internacional de radiocomunicação. O tempo foi cronometrado previamente para garantir que o maior número possÃvel de questões fosse respondido durante a janela orbital.
Sobre esta janela, um detalhe. Por conta do azimute pelo qual a ISS surgiu, o tempo disponÃvel para o contato devido à janela orbital foi reduzido para cerca de seis minutos por conta de morros próximos. Com horizonte livre, o tempo subiria para algo próximo de 10 minutos.
Quando a ISS entrou na área de cobertura, Tony começou a chamar NA1SS, o indicativo da estação a bordo da ISS. Após alguns minutos de apreensão e expectativa, a astronauta finalmente respondeu, confirmando o contato para alegria geral dos presentes. A comunicação apresentou um pequeno delay perceptÃvel, maior do que em experiências anteriores, segundo relatou o PY1AX. Em determinado momento, houve sobreposição de áudio: enquanto um aluno concluÃa a pergunta, a astronauta já iniciava a resposta, o que exigiu ajuste rápido de ritmo por parte da equipe.
Veja o contato na gravação da transmissão ao vivo a partir do tempo 1:04:50 abaixo:
Durante todo o contato, a equipe permaneceu atenta a possÃveis interferências externas, pois houve tentativas em outros eventos. Felizmente, não houve problemas. A redundância preparada (rádio e antena reserva) não precisou ser acionada, mas permaneceu em prontidão durante toda a passagem.
As perguntas abordaram temas cientÃficos e cotidianos da vida na estação: adaptação ao espaço, pesquisas realizadas, rotina em microgravidade, etc, sempre dentro do escopo educativo previamente aprovado. Paralelamente, o evento foi transmitido ao vivo (live), conforme exigido, para fins de divulgação pública e registro institucional.
Após o encerramento, iniciou-se imediatamente a etapa de documentação: consolidação das informações, registro do tempo efetivo de contato, número de participantes e preparação do relatório formal a ser enviado às entidades responsáveis pelo programa.
Participantes
Estiveram presentes os escoteiros/estudantes:
- Ana Clara Souza (GE 86/RJ) - QSO com ISS
- Artur Sena (GE 86/RJ)
- Breno Campos (GE 86/RJ)
- Maria Cecilia Morais (GE 11/RJ) - QSO com ISS
- Pedro Carvalho (GE 11/RJ) - QSO com ISS
- Rodrigo De Carvalho (GE 11/RJ)
Nem todos puderam fazer as perguntas devido aos pequenos problemas ocorridos e ao tempo reduzido para o contato, como já explicamos.
Além destes, também estiveram entre os presentes:
- Anderson Cortez Calderini, estudante de FÃsica
- Luiz Pinheiro Cordovil da Silva (PY1LU) Professor do Departamento de FÃsica Quântica - UERJ
Na parte técnica, colaboraram os colegas radioamadores:
- PY1AX (Tony) - Responsável pelo contato
- PY2PIM (Pimentel) - Projetou o rotor com azimute e elevação
- PY1SAD (Aldir) - Responsável pela estação backup
- PY1PP (Sérgio, Presidente LABRE-RJ) - Apoio geral
- PU1MAB (Marco) - Apoio geral
Também estiveram presentes os militares:
- Capitão de Fragata Frambach - Imediato do Corpo de Aspirante
- Capitão de Corveta Kayo
- Capitão-Tenente Magalhães - Encarregado das Atividades Extracurriculares
- Aspirante Felicio
- Aspirante Coimbra
- Aspirante Codá
- Aspirante Nickolas Oliver
- Aspirante Nosenzo
- Aspirante Eduardo Gomes
- Aspirante Davi Salvador
- Aspirante Henrique Barros
Os trâmites para conseguir agendar um contato com a ISS
Até chegar no contato em si, o processo exige planejamento prévio, articulação institucional e cumprimento rigoroso de exigências técnicas. Neste caso relatado aqui, envolveu a Escola Naval e contou com superação de dificuldades burocráticas e operacionais até a confirmação do evento.
As inscrições para esse tipo de contato normalmente abrem entre outubro e novembro para o ano seguinte. Os interessados precisam preencher formulários e atender a critérios especÃficos, sendo obrigatório que o evento ocorra em uma instituição de caráter educacional, com autorização formal do diretor responsável pelo local.
Um dos principais requisitos é que o contato tenha finalidade pedagógica. A instituição precisa promover palestras e atividades preparatórias sobre a ISS, exploração espacial, radioamadorismo e os benefÃcios cientÃficos das pesquisas realizadas em órbita, como por exemplo os avanços na medicina, estudos sobre osteoporose, catarata, atrofia muscular, equilÃbrio corporal e cultivo de vegetais em microgravidade, dentre outros temas.
Do ponto de vista técnico, a organização exige redundância total de equipamentos. É necessário ter dois rádios, duas antenas, duas fontes de energia, duas conexões de internet e planos alternativos para qualquer falha. Em locais sem gerador, por exemplo, o organizador leva baterias extras. Todo o sistema precisa estar preparado para operar sem interrupções.
Também é obrigatório que haja um radioamador classe A responsável pela operação, garantindo ética e controle das perguntas feitas pelos alunos, evitando temas inadequados, como questões polÃticas. Além disso, é necessário treinamento prévio dos estudantes, com ensaio das perguntas, controle rigoroso do tempo e padronização da fala, incluindo identificação e uso do termo “over” ao final de cada questão.
O contato pode ocorrer de duas formas: via rádio direto com a ISS ou por meio do sistema Telebridge, em que uma estação já credenciada faz a intermediação. Durante a pandemia de Covid-19, muitos contatos ocorreram por conexão remota (multipoint), o que trouxe desafios técnicos como quedas de conexão e falhas de áudio. Hoje em dia, é sempre preferÃvel o contato direto.
A operação via rádio exige configuração em split (frequências diferentes para transmissão e recepção), para evitar interferências. Mesmo assim, neste contato da Escola Naval ocorreram tentativas de interferência intencional local e em outros estados, mas que não chegaram a prejudicar o contato. O cumprimento das normas operacionais é rigoroso.
Após o evento, é obrigatório o envio de relatório detalhado à NASA ou à entidade responsável, informando número de participantes, duração do contato, descrição do andamento e eventuais ocorrências. A prestação de contas é parte essencial do processo.
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